Total de visualizações de página

domingo, 22 de janeiro de 2012

O olhar de Verissimo sobre o BBB

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A nova edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB  é a pura e suprema banalização do sexo.

Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros...todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB  é a realidade em busca do IBOPE.

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB . Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.


Pergunto-me, por exemplo,
como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.


Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis? Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores) , carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.


Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo dia.


Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, Ongs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).

Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas
pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$ $$$$$$$ do BBB:
José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores)

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que
tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema...., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , ·visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade.




quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

BBB, ESTUPRO E VULNERABILIDADE

Enquanto uma parcela razoável da população está interessada em saber se houve mesmo um caso de estupro nesta última versão do Big Brother Brasil, há gente preocupada com outra questão não menos séria: o caráter medíocre e apelativo deste reality show apresentado pela TV Globo. Há anos seguidos, a Globo vem veiculando esse enlatado com modelo importado dos EUA, e despejando em nossas casas versões e mais versões (12) de pura baixaria, ampliando a mentalidade quase perversa de que bisbilhotar a vida alheia é legal e, o que é pior, de que a evasão de privacidade é o jeito mais fácil de atrair as atenções dos “olheiros” da moda e da fama e alcançar o posto da vida fausta e célebre. Isso pode ser doentio, tanto para quem se mostra como para quem fica viciado em ver, chegando ambos os lados à beira dos desequilíbrios emocionais.
O pior de tudo é que até quem não curte a programação – e controles remotos existem pra mudar de canal! – não fica imune dos fanáticos e sensacionalistas, que prestam grandes desserviços à comunidade, espalhando essa miséria cultural em todas as emissoras, sites, jornais, etc...Onde quer que você esteja sempre tem alguém falando de BBB.
Não consigo entender o quanto consumir esse reality show pode acrescentar algo à vida de alguém! Pelo contrário, diminui e rouba. Rouba tempo que poderia ser usado para aprender algo realmente edificante, num país já carente de educação e cultura; rouba oportunidades de entretenimento numa programação mais saudável e construtiva para nossos adolescentes e jovens; rouba espaço que deveria ser empregado nas discussões dos verdadeiros problemas e questões sociais que nem de longe ocupam a preocupação e os debates da maioria da população.
Quanto à questão do estupro possivelmente ocorrido esta semana dentro da casa do BBB, importa que os fatos sejam apurados e os responsáveis punidos devidamente, a começar pelos diretores do programa e da emissora, embora duvide muito que isso vingue verdadeiramente. Seria mais interessante que o BBB fosse para o “paredão”, não é mesmo? Quem sabe os grupos e pessoas mais decentes pudessem ter a oportunidade de expressar seu repúdio e mandar pra fora do país, de preferência, programa tão vulgar!
De acordo com o Código Penal, estupro é constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal/sexual ou a praticar ou permitir que com ele pratique ato libidinoso. Está embutida na definição a ideia de alguém mais poderoso que força outra pessoa vulnerável ou desprotegida a um ato que ela não quer fazer. Nossa sociedade conhece muito a realidade dos abusos e não precisa de muitas definições. Só fico pensando aqui se não poderia haver também a categoria “estupro moral ou cultural”...quem sabe assim teríamos menos abusos na mídia: menos vulneráveis (crianças e adolescentes) expostos à dominação da TV e da Internet; menos pessoas adoecendo por conta das pressões da moda, do consumismo, da ditadura da estética; menos lixo eletrônico e visual; menos casuísmos sobre o que rola debaixo dos cobertores, dos panos, dos interesses escusos daqueles que, em nome do dinheiro e do poder, violentam a inocência dos poucos que ainda resistem à massificação.