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sábado, 20 de novembro de 2010

TRIBUTO AO TEMPO

                                                                Vanildo de Paiva

Tempo!
Quem poderá dar conta
de teu ritmo incerto,
de tua louca dança,
de teu compasso aberto,
de tua hora pouca,
de teu longe tão perto,
de teu perto tão sem fim?

Tempo,
Me confundes em tua roda,
em tua insana sorte,
já não sei se em ti há vida,
se em tua ciranda, a morte
dissolve-me a cada instante,
dando-me a esperança atrevida
se, enquanto mortal ambulante,
cumpro o teu rumo inscrito em mim!

És Crónos desmedido
que gera filhos do desejo
e, num lampejo, os devora
como quem come a urgência
de renascer a cada hora!

És relógio sem pressa alguma
que, por ter somente um ponteiro,
mede os minutos tão somente;
e, por não compores hora completa,
quando penso que o momento interpretas,
descubro que a mim tu mentes!

És Moira fiandeira
que tece a trama do destino
mas, antes mesmo que o calor
do seu tecido aqueça o inverno,
ao inferno, calor outro, manda, em desatino,
aquele a quem corta os fios e  o vigor!

És presente, és tardança,
e estás em mim como memória,
ao mesmo tempo que nunca estás;
és história por fazer;
e o que me resta é somente viver
o presente instante que ora me dás.

Tempo!
Quem há de compreender
Que, na contradição, tudo acertas
Quando folgas, quando apertas,
Roubando-me o poder
De dizer qual o teu rumo,
Com que medida medir;
Somente me cabe permitir
Que sejas tu, e não eu, meu próprio prumo!